10 de mar. de 2012

MULHERES



É assim que somos mulheres
Femininas, guerreiras
Trabalhadoras, centelhas
De formas e risos, delicadas
Simples e sempre sofisticadas
É assim que somos: mulheres

É assim que somos mulheres
De seus filhos, a vida
De seus homens, queridas
De suas mães, companheiras
De si mesmas, videira
Sempre atentas a detalhes

É assim que somos mulheres
Cuidadosas profissionais
Modernas e ancestrais
Ligadas em toda novidade
Criando com serenidade
Somos mulheres

É assim que somos mulheres
Movidas pela curiosidade
Observando com serenidade
Somos a professora e a beleza
Somos mães e a realeza
Somos assim mesmo: mulheres

É assim que somos mulheres
Da natureza a sublime criação
Que dá a vida sem oscilação
Sem pensar, com toda dignidade
Com todo ser, com toda verdade
É... Somos mulheres

É assim que somos mulheres
Dotadas de pro atividade
Mil coisas com toda intensidade
Filhos, trabalhos, casa, estudo
Beleza, força, historia tudo.
Assim somos mulheres!

É assim que são as mulheres
Que me deu a vida
Que me fez conhecida
As que me ensinaram viver
As que me ensinaram conhecer
Assim são as mulheres

Assim são as mulheres
Que tenho admiração
As amo com toda razão
São lindas, humanas, fortes
Sensíveis,verdadeiras, coerentes
São assim as mulheres

Essas mulheres são assim
Tantas outras conheci
Seus caminhos desenhando
Felizes desejando
Ser apenas mulher

Essas mulheres que são assim
Já sofreram com a injustiça
Mas elas tiraram a mordaça
Fizeram e venceram
Só porque são MULHERES

FELIZ DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES!
08 de março de 2012 , poema escrito e lido  para as  professoras da Escola Estadual  Said Murad  . Desejo dedicar a todas as mulheres guerreiras, especialmente a minha mãe e todas minhas professoras...
Marlene Borges

19 de fev. de 2012

Quem educa?



“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, midiatizados pelo mundo”
O mundo ensina... Frase que meus pais diziam sempre. Sabedoria na forma empírica de uma educação que tem como conceito sua característica mais pura a vida em sociedade, o conhecimento do mundo.
É correto afirmar que os homens se ensinam, na condição de professora posso concluir humildemente que mais aprendo que ensino, e tendo em mente meus mestres, acredito que pensavam assim quando nos ouviam falar de tantas experiências vividas, das nossas descobertas, das dores, alegrias, conquistas.
Somos seres que se completam, dependentes indiscutíveis uns dos outros, como seres incompletos que somos algumas vezes ao nos depararmos conosco espelhado no outro, estranhamos, não aceitamos, recusamos a nossa própria presença, vaidade que predomina na nossa cultura humana que vive em sociedade.
Para outros, somos o exemplo a ser seguido, é interessante, mas exige cuidado, tudo é imitado, principalmente os gestos mais dos que as falas.
A melhor forma dessa educação mutua são os amigos, porque  existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho.
Algumas  percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro. A todas elas chamamos AMIGOS.
(inspirado nos mestres Paulo Freire e Vinicius de Moraes)
Marlene Borges

13 de fev. de 2012

Minhas quatro operações...

Gostaria de me reduzir em palavras de um Sumário.
Gostaria de me dividir em temas e escrever claramente sobre cada assunto, conceitos, pontos principais, conclusões.
gostaria de multiplicar todas as fases de minha vida  e dizer em um só discurso bem escrito tudo que sou, que sinto e o que penso.
gostaria de somar todas as pessoas que conheci e colocá-las em uma imensa tabela com nomes, época e ocasião que conheci,  recordações boas e até de desafio, qualidade de manutenção e grau de profundidade da amizade ou não amizade, multiplicar quantas vezes nos encontramos novamente, somar quantos conhecimentos dividimos, quantas risadas somamos, quantas mágoas subtraímos, quantos sonhos guardamos.
Gostaria... Mas quem sabe a receita de sair de si e analisar como um pesquisador dedicado o próprio interior? Racionalizando os sentimentos, as dores? Eu não! Sou dessas pessoas que viajam nas idéias,nas minhas e as dos outros, sou passional, pela vida principalmente, as vezes até assusto por tanta paixão, até eu mesma me assusto! Vou seguindo. E isso não é conformismo,  não sigo por seguir...Sei o que quero, e apesar de viver no mundo da lua, sei o que acontece nesse mundo também. Estou construindo meu caminho, e nele como ser admitidamente inacabado, me construindo também!
Marlene Borges

23 de jan. de 2012

19 de jan. de 2012

Em dia de formatura . Na tribuna


                                                                                                                    














Éramos quase 250 formandos, muitos preparativos, muitos rituais, formalidades,  becas, capelos, homenagens, discursos....
Assim  se iniciou a Colação de grau da turma de 2011/2 de licenciatura em Pedagogia da Unicastelo. Eu gritei o quanto pude, e o quanto não pude também, me emocionei algumas vezes, e todas as outras o corpo estava absolutamente todo arrepiado, senti toda energia dos meus pares, todos tinham um brilho mágico nos olhos, ouvi até que estávamos irreconhecíveis em relação nosso dia a dia de estudos. Estávamos mesmo!
Todos que tiveram a palavra falaram 

com firmeza, primazia, coerência, justeza. Tivemos homenagem a uma, que representou todas e todos , guerreiras e guerreiros que ali estiveram, tivemos uma juramentista que me disse baixinho ao ouvido que não conseguia parar de tremer de tanta emoção, tivemos oradora com discurso preparado com excelência e com um protesto preciso, honesto, sincero aos nossos mestres, e nossa paraninfa que significa “ o que acompanha, o padrinho que fala e defende a causa dos seus afilhados “ , que falou com serenidade mais muita solidez e com conhecimento de causa sobre os problemas enfrentados pela nossa universidade e pela sociedade, nosso desafio daqui para frente diante dos conhecimentos adquiridos, falou de  Apple, Saviani, Freire, Libaneo....Fomos muito felizes nessa escolha que aliás e impecavelmente foi  unânime.
Posso dizer com segurança que dei os abraços mais fortes, sinceros e apertados, gritei muito ,um grito preso na garganta que dá nó as vezes é de pranto, mas foi com toda força de agradecimento, falei milhões de obrigado, e se pudesse estar de novo em frente a todos os professores diria outro milhão, e se voltarmos a nos encontrar, e voltaremos, direi mais outro  milhão!
Ofereci minha formação a pessoas, tive a feliz e grata  presença de amigos, família, professores, sobrinhas que eu sei que deixaram tudo pra estarem conosco naquela noite chuvosa....
Estou formada! Sou PEDAGOGA agora e jamais esquecerei, e por isso quero registrar meu agradecimento mais uma vez, porque sem essas pessoas todas jamais conseguiria, foi muito difícil, passamos momentos em que tivemos muita vontade de desistir, mais fui uma dessas pessoas que estavam no caminho certo e não podia. Tive orientação, força, amor, orgulho, fui imitada pelas crianças, e até minha irmã já voltou a estudar! Estou realizada, muito realizada, mas a história não acaba aqui e prometo que volto pra contar!

Marlene Borges

18 de jan. de 2012

Em dia de Formatura....

Apesar de Uma alegria arranhada por uma tremenda injustiça, hoje quero agradecer, festejar, celebrar, me emocionar, gritar, chorar, sorrir largamente, homenagear quem esteve conosco nessa guerra desde o inicio, quem nos deixou no meio da luta mas lutou o quanto pode, quem achou que não podia, quem achou que não era esse o caminho e teve coragem de desistir, quem fez bem em continuar, quem está perto e quem está longe. Quero compartilhar umas das poesias mais antigas da história, os salmos, esse é o 148, um louvor, um cântico de vitória! 


Louvai ao Senhor! Louvai ao Senhor desde o céu, louvai-o nas alturas! / Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, /todas as suas hostes!  /Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes!   / Louvai-o, céus dos céus, e as águas que estão sobre os céus!  / Louvem eles o nome do Senhor; pois ele deu ordem, e logo foram criados. /Também ele os estabeleceu para todo sempre; e lhes fixou um limite que nenhum deles ultrapassará.  / Louvai ao Senhor desde a terra, vós, monstros marinhos e todos os abismos;   / fogo e saraiva, neve e vapor; vento tempestuoso que escuta a sua palavra;  / montes e todos os outeiros; árvores frutíferas e todos os cedros; / feras e todo o gado; répteis e aves voadoras/   reis da terra e todos os povos; príncipes e todos os juízes da terra;/ mancebos e donzelas; velhos e crianças !                            / Louvem eles o nome do Senhor, pois só o seu nome é excelso; a sua glória é acima da terra e do céu. /Ele também exalta o poder do seu povo, o louvor de todos os seus santos, dos filhos de Israel, um povo que lhe é chegado. Louvai ao Senhor!


24 de dez. de 2011

Obrigada!



Tenho muitas, muitas razões para ser agradecida a nossos professores da Unicastelo- SP, além do conhecimento que já em outro momento colocamos nas ruas com faixas, com apitos e nariz de palhaço e aula a céu aberto numa noite fria de maio, temos registrado os rostos de cada pessoa consciente do seu papel de seu valor naquele momento, cada comentário, cada texto escrito registrava também a comoção e a força que temos quando nos unimos por uma causa comum.

Não é em vão a movimentação via rede social, não é em vão gritar aos quatro ventos a vergonha que sentimos com o descaso com que tratam os nossos mestres, e não é em vão divulgar incansavelmente  que nós sabemos o que está acontecendo e que não é qualquer discurso com palavras bem selecionadas e bem proferidas que vai nos convencer que o que vemos não é a realidade, que nós estamos entendo errado, não é bem assim.
Não! Aprendemos, aprendemos muito bem a “ler as entrelinhas”, a ouvir e duvidar, e essa lição jamais esqueceremos, essa e outras, às vezes duras, exigente ao nosso olhar despreparados, mas que trazia uma certeza, é para nosso crescimento, para nossa humanização!
Aos mestres, quero registrar novamente, estamos acompanhando e conte conosco!

Marlene Borges

27 de nov. de 2011

Sonhamos com rosas ou lutamos com rosas? (Aos mesquiteiros)


Ontem senti vontade de mudar o nome desse blog de "Sonhamos com rosas " para "Lutamos com rosas".
Foi por causa de  uma galera que "colei ai", umas minas e manos cheios de energia, entusiasmo, apaixonados de verdade, que ama poesia e sabe fazer bem, muito bem.
Esses manos  e minas são  militantes por uma educação mais justa, real e preparadora, não só pro mercado de trabalho, mais de seres humanos. Humanos produtores de cultura, de SUA cultura, a que nasce nos guetos, nas ruas, nas prosas cheias de  gírias, tantas que  quem chega precisa de tradução! Da dança com tambores, do canto ritmado com pit Box improvisado entre amigos, da poesia que protesta e  choca, insulta e mostra a realidade vivida por muitos deles, as vezes é uma realidade que doe aos ouvidos, tem-se vontade de não ouvir mais, porém ela é um brado desesperado, uma voz tão ensurdecida, sem espaço, que quando encontra um, um só motivo é gritada aos quatro ventos.
É preciso ser forte viu! Nem todo mundo pode ouvir ou entender, é preciso olhar com outros olhos, é preciso, para entender uma ótica de quem sabe ler as entrelinhas, quem sabe perguntar, “PORQUE?” ou será  “ POR QUÊ?”, num aprendi isso direito na escola, deve ser PORQUE não fazia sentido!
É isso que essa gente procura:  sentido, ou sentidos, os da vida, os de crescer ou até os de continuar lutando.
Percebi a força que tem a união desses manos e minas porque quiseram até impedi-los de se reunir, mas eles não baixaram a cabeça, fizeram valer a resistência, não deixaram calar a voz.
É... Falar incomoda!
É por isso que voltei a escrever, para mostrar que os dominantes estão errados! A gente tem razão sim, tem força sim, tem musica, poesia, dança e um jeito próprio de vestir, expressar e receber!
Eu conheci tudo isso no Sarau do Mesquiteiros!
 Marlene Borges

15 de out. de 2011

Aos Mestres....

Como toda fase de transição tudo é meio confuso, esperançoso e cheio de preparações.
Essa semana, em meio a uma dessas preparações encontrei poesia, melhor que isso, poesia homenageando os professores.
Queridos mestres que nos acompanham hoje, e que já nos acompanharam durante todo o período de grandes mudanças, novidades e conflitos, nos orientando, debatendo, insistindo...
É pra vocês!

" Mestre,


É aquele que caminha com o tempo,


propondo paz, fazendo comunhão,


despertando sabedoria.


Mestre é aquele que estende a mão,


inicia o diálogo e encaminha


Mestre é você, professor,


Que compreende, estimula,


comunica e enriquece com sua presença, seu saber e sua ternura."



25 de jul. de 2011

Foi assim que a poesia me salvou


No tempo que sentia dor, aquela dor n’alma, a poesia me salvou
Era tanta dor que a lógica não dava conta de explicar, era um desvelar das coisas que pareciam naturais até então, era meu coração, pulmão, rins sendo comprimidos por uma dor exterior que quase me eliminou. Então quando percebi, tive um desejo incontrolável de fugir,  escrevi e li poesias, e foi assim que a poesia me salvou.
No tempo que senti amor, era um calor exagerado, vexado, inquieto, não consegui falar, e guardei pra mim, mas escrevi e li poesias, e foi assim que a poesia me salvou.
No tempo que quis conhecer mais sobre o mundo, a cultura dos viventes desse mundo eu li e escrevi poesia, só assim descobri que tem poesia além da dor, do amor, da cultura e do mundo.
A poesia me salvou e sempre me salvará!
Marlene Borges

20 de jul. de 2011

A mais Bela oração!



I Coríntios 13- 1,13

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

Um Poema!

Para os clássicos, especialmente na escola platônica, o amor espiritual é o mais elevado, o único digno dos sábios, e esta espécie de afeto incorpóreo acabou por ser conhecida como amor platônico. :
"Os Luiziadas" (fragmento)
Luis Vaz de Camões

Da alma e de quanto tiver
Quero que me despojeis,
contanto que me deixeis
Os olhos para vos ver.

Acha a tenra mocidade
Prazeres acomodados,
E logo a maior idade
Já sente por pouquidade
Aqueles gostos passados. 
Um gosto que hoje se alcança,
Amanhã já não o vejo;
Assim nos traz a mudança
De esperança em esperança
E de desejo em desejo.
Mas em vida tão escassa
Que esperança será forte?
Fraqueza da humana sorte,
Que quanto da vida passa
Está receitando a morte!


Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer. 
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder. 

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.


Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada. 
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada. 

Mas esta linda e pura semideia,
Que, como um acidente em seu sujeito,
Assim com a alma minha se conforma, 

Está no pensamento cono ideia;
O vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma.


Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê; 
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades. 
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades. 

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto. 

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Uma Música....




19 de jul. de 2011

Só quem é feliz pode sonhar assim!


"Há dois tipos de pessoas no mundo: os realistas e os sonhadores. Os realistas sabem onde estão indo. Os sonhadores já estiveram lá." 

7 de jul. de 2011

Todo dia tra la la la

....minhas marcas....




De alguma forma marcamos e somos marcados pela passagem das pessoas em nossas vidas!
Seja por um bordão repetido a cada idéia, seja por um sorriso largo ou a falta dele, seja pela crítica que lançamos dos assuntos que mostram um panorama diferente sobre os conceitos e acendem oportunidades para outros cenários, outros pontos de vista que é a vista de outro ponto.
Todo dia passamos, todo dia ficamos, todo dia temos e deixamos, todo dia estamos e partimos, todo dia amamos, todo dia vivemos!
Com a palavra o mestre para falar de Cotidiano:

3 de jul. de 2011

CONFISSÃO DE CABÔCO Poeta Zé da Luz

Ao falar do poeta Zé da Luz, imediatamente nos lembramos de "Ai se Sesse" poema de amor engraçado e  cheio de inspiração. A obra a seguir é de amor também, mas tem um tom mais dramático. Publico na integra, é um pouco longo, mas a história é envolvente, vale a pena:



Seu dotô, sou criminoso. / Sou criminoso de morte. / Tou aqui pra mi intregá. / Vosmicê fique sabendo: / quando a muié traz a sorte / de atraiçoá o isposo, / só presta para se matá. Nunca pensei, seu dotô, / qui a mão nêga do distino, / merguiasse as minhas mão / no sangue dos assassino! / Vô li pidí um favô / ante de vossamercê / mi butá daqui pra fora: / é a licença do dotô / pr'eu li contá minha histora.


Sinhô dotô delegado, / digo a vossa sinhuria / qui inté onte fui casado / cum a muié qui im vida / se chamô Rosa Maria. / Faz dez mês qui se gostemo, / faz oito qui fumo noivo, / faz sete qui nós casêmo. / Nós casêmo e nós vivia / cumo pobre, é bem verdade, / mas a gente se sintia / rico de filicidade!

Pras banda qui nós morava, / no lugá Chã da Cutia, / morava tombém um cabra / chamado Chico Faria. / Esse cabra, antigamente, / tinha gostado de Rosa, / Chegaro inté a sê noivo, / mas num fizero a "introza" / do casamento, prumode / Mané Uréia de Bode, / Qui era padrim de Maria / tê dismanchado essa prosa.

Entoce, o Chico Faria, / adispois qui nós casêmo, / in cunversa, as veis dizia, / qui ainda mi dava fim / pra se casá cum Maria. / Dessa coisa eu sabia, / mas nunca dei importança. / Tinha toda cunfiança / na muié qui eu tanto amava, / ou mais mió, adorava./ Cum toda a minha sustança.


Dispois disso, o meu custume / era vivê trabaiando / sem da muié tê ciume. / A muié pru sua vez / nunca me deu cabimento / deu pensá qui ela fizesse / um dia um farcejamento./ Mas, seu dotô, tome tento, / no resto da minha histora, / qui o ruim chegô agora:


Se não me farta a mimória, / já faz assim uns três mêis, / qui o cabra, Chico Faria, / todo prosa, todo ancho,/ quage sempre, mais das vêz, / avistava o meu rancho. / Puralí, discunfiado / como quem qué e não qué, / eu fui vendo qui o marvado / tentava a minha muié. Ou tentação ou engano, / eu fui vendo a coisa feia! / Pru derradêro eu já tava / C'a mosca detrás da urêia. / Os tempo foi se passando / e o meu arreceiamento / cada vez ia omentano.


Seu dotô, vá iscutano: / onte, já de tardezinha / o meu cumpade, Quinca Arruda, / mi chamô pra nós dança / num samba, lá na Varginha,/ na casa do mestre Duda. / Mestre Duda é um cabôco, / um tocadõ de premêra. / É o imboladô de côco / mió daquela rebêra. Entonce Rosa Maria, / sempre gostou de samba, / mas, porém, de tardezinha / me disse discunfiada, / qui pru samba ela não ia, / Qui tava munto infadada, / percisava se deitá. / Eu fiquei discunfiado / cum a preposta da muié! / Dispois qui tomei café, / cuage puro sem mistura, / cum a faca na cintura / fui pru samba, fui sambá. / Cheguei no samba, dotô, / repare agora, o sinhô, / quem era qui tava lá?

O cabra Chico Faria, / qui quano foi me avistando, / foi logo mi preguntando: / - cadê siá dona Maria, / num veio não, pra dançá? / - Não sinhô. Ficô im casa, / pru cabôco arrispondí. / Senti, entonce uma brasa / queimano meu coração, / nunca mais pude tirá / as palavra desse cabra / da minha maginação.


Perdí o gosto da festa / e dançá num pude não. / O cabra, pru sua vez, / num dançava, seu doutô. / De vez im quando me oiava / Cum um oiá de traidô. / Meia noite, mais ou meno, / se dispidino do povo / disse: - Adeus, qui eu já vô. / Quando ele se arritirô, / eu tombem me arritirei / atraiz dele, sim sinhô. / Ele na frente, eu atrais. / Se o cabra andava ligêro, / eu andava munto mais!


Noite iscura qui nem breu! / Nem eu avistava o cabra, / nem o cabra via eu! / Sempre andando, sempre andando, / ele na frente, eu atrais. / Já nem se iscutava mais


/ a voz do fole tocando / na casa do mestre Duda! / A noite tava mais preta / qui a cunciênça de Juda! / Sempre andando, sempre andando, / eu fui vendo, seu dotô, / qui o marvado ia tumando / direção da minha casa! / Minha casa!... Sim sinhô!

Já pertinho, no terrero, / eu mi iscundí pru detraiz / de um pé de trapiazêro. / Abaixadim, iscundido, / prendi a suspiração, / Abri os óio, os ouvido, / pra mió vê e ouvi / qual era a sua intenção. / Seu dotô, repare bem: / o cabra oiando pra traiz, / do mermo jeito qui faiz / um ladrão pra vê arguém, / num tendo visto ninguém, / na minha porta bateu! / De lá de dentro uma voiz / bem baixim arrispondeu.../ Ele entonce, cá de fora: / - Quem ta bateno sou eu! / De repente abriu-se a porta! / Aí seu dotô, nessa hora / a isperança tava morta, / tava morto o meu amô...


No iscuro uma voiz falô: / - Taqui, seu Chico, essa carta, / qui a tempo tinha iscrivido / pra mandá pra voismicê. / Pru favô num leia agora, / vá simbora, vá simbora / qui quando chegá im casa / tem munto tempo pra lê. / Quando minhas oiça ouviu, / as palavra qui Maria / dizia pru disgraçado, / eu fiquei amalucado, / fiquei quage cumo loco, / ou mio, cumo um cabôco / quando ta chêi de isprito! / Dum sarto, cumo um cabrito, / eu tava nos pés do cabra, / e sem querer dei um grito: / - Miserave! E arranquei / minha faca da cintura. / Naquela hora dotô, / eu vi o Chico Faria, / na bêra da sipurtur

Mas o cabra teve sorte. / Sempre nessas circunstança / os home foge da morte. / Correu o cabra, dotô, / tão vexado, qui dexou / a carta caí no chão! / Dei de garrá o papé, / o portadô da traição! / Machuquei nas minha mão, / a honra, dotô, a honra / daquela farsa muié! / Dispois, oiando pra carta / tive pena, pode crer, / de num tê prindido a lê / nas letra alí iscrivida, / o qui dizia Maria / pru marvado traidô. / Tive pena, sim sinhô. / Mas, qui haverá de fazê, / se eu nunca prindí a lê?


Maria mi atraiçuô! / Essa muié qui um dia, / juêiada nos pé do artá / jurou im nome de Deus / qui inquanto tivesse vida, / havéra de mi honrá, / e mi amá cum todo amõ, / cum perdão do seu dotô./ quando eu vi a miserave / na iscurideza da noite / dos meu oio se iscondê, / sem dêxá nem sombra inté, / entrei pra dentro de casa / pra mi vingá da muié


Dotô, qui hora minguada! / Maria tava ajuêiada, / chorando, cum as mão posta, / cumo quem faz oração. / Oiando pra eu pedia, / pelo cali, pela ostia, / pru Jesus crucificado, / pelo amo qui eu li amava, / qui num fizesse isso não.

Eu tava, dotô, eu tava / cego de raiva e paixão. / Sem dizê uma palavra, / agarrei nas suas mão, / levantei ela pra riba / e interrei inté o cabo, / o ferro da Parnaíba / pru riba do coração! / Sarvei a honra, dotô, / sarvei a honra, apois não!

Dispois qui vi a Maria / caí sem vida no chão, / vim fala cum vosmicê, / vim cunfessá o meu crime / e mi intregá a prisão. / Se osinhô num acredita / se eu sô criminoso ou não, / tá aqui a faca assassina / e o sangue nas minhas mão. / Cumo prova da traição, / tá aqui a carta, doutô. / Li peço um grande favô: / ante de vossa-sinhuria / mi mandá lá para prisão, / me lêia aqui essa carta / pr'eu sabê cumo Maria / perparava essa traição!
A CARTA:


"Seu Chico: Chã da Cutia. / Digo a vossa senhoria / que só lhe escrevo essa carta / pru senhor ficar sabendo / que eu não sou a mulher / que o senhor tá entendendo. / Se o senhor continuar / com os seus disbiques atrevidos, / o jeito que tem é contar / tudo, tudo a meu marido. / O senhor fique sabendo / que com seu discaramento, não faz nunca eu quebrar / o sagrado juramento / que eu jurei nos pés do altar, / no dia do casamento. / Se o senhor é inxirido, / encontrou u'a mulher forte, / o nome do meu marido / eu honro até minha morte! / Sou de vossa senhoria, / sua criada. / Maria."

texto extraido do blog Recanto das Letras, disponível em



Fim
 

27 de jun. de 2011

Comprastes? Comprei.Pagastes? Paguei. Me diz quanto foi? Um sonho a se realizar!

Não tem preço dar um presente como uma viagem de volta as origens  aos nossos queridos, tudo inspira alegria, ansiedade preparação e festa.
O Brasil não conhece o Brasil. É um clichê, mas diz muito sobre o quanto o nosso país é diverso, toante, cantante e simplesmente maravilhoso!
Pude conhecer a mistura dos tons criando a batida do maracatu, do boi bumba, frevo, xote, baião e forró, mudando pra embolada, a roda de coco, desafio, cordel, sem contar o repente , o galope a beira mar, o martelo...Enfim tudo no mesmo lugar expressando varias culturas e realidades de povos que vieram pra cá, mas não deixam de sonhar em voltar pra lá.
Alguns voltam tentando reencontrar a velha história que um dia deixou, mas se depara com outra realidade, não se reconhece mais no lugar onde nasceu, aí vem um dilema, não é daqui, mas também não se reconhece lá.
Mas essa volta não é só solidão, tem festa, realização, agora é uma pessoa com uma experiência, sabedoria, que sabe mesmo contar boas histórias e isso é uma vitoria que se deve comemorar muito.
Nos despedimos todo dia, nos reencontramos as vezes, sentimos saudades sempre....
Mãe, to morrendo de saudades!